São Francisco Solano, o Frade do Violino 🎻
Francisco Solano possuía rara sensibilidade musical e seu passatempo favorito era cantar com os pássaros no jardim de casa.
Com espírito sereno, mas que não deixava de chamar a atenção de crianças, e mesmo de adultos, quando brigavam, buscando sempre uma reconciliação era conhecido como o "Frade do Violino" porque utilizava o instrumento musical em suas pregações e viagens pelas Américas.
Ele tocava e cantava para evangelizar multidões, acalmar indígenas hostis e até mesmo para atrair pássaros, usando a música como expressão de sua alegria e amor a Deus.
Após anos de fecundo apostolado, recebeu em 1595 a ordem de dirigir-se a Lima, para ali fundar um novo convento franciscano. Sempre dócil aos superiores, obedeceu prontamente.
A capital do Peru passava por grande florescimento religioso e aqueles anos contemplavam o desabrochar de almas que, mais tarde, seriam veneradas no mundo inteiro: São Turíbio de Mogrovejo, Santa Rosa, São Martinho de Porres e São João Macías.
Os recém-edificados claustros da nova fundação franciscana, batizada com o nome de Nossa Senhora dos Anjos e hoje conhecida como Convento dos Descalços, tornaram-se escrínio deste eleito. Ali o padre Francisco Solano estreitaria sua união com Deus. Sem negligenciar suas obrigações e as obras apostólicas, o santo levou nesse abençoado lugar uma vida de recolhimento e oração; aí se intensificaram e tornaram-se cada vez mais frequentes seus êxtases e arrebatamentos de amor a Jesus e a Santíssima Virgem.
Frequentemente, a altas horas da noite, ressoavam na igreja deserta as músicas por ele executadas ao violino. Certa vez, a um religioso com o qual cruzou no corredor, quando para lá se dirigia, disse: “Vou tocar para uma Donzela belíssima, que está me aguardando”. O frade, intrigado, escondeu-se na noite seguinte atrás da porta da sacristia e pôde contemplar esta cena: após rezar longo tempo diante do altar-mor, o irmão violinista ofereceu a Jesus Eucarístico um breve e animado concerto; foi depois até o altar de Nossa Senhora e ali não só tocou outras músicas, mas, enquanto cantava um entusiasmado hino às glórias da Virgem Mãe, pôs-se a saltar e dançar com muita graça e elegância.
De fato, era aos pés da “Causa de nossa alegria” que o santo franciscano encontrava conforto nos sofrimentos e forças para praticar a virtude, como ele próprio confidenciou: “Nesta casa tenho meus entretenimentos e todo o meu consolo, porque comunico a uma Senhora que é o alívio de minhas penas, a glória de minha alma”.
O humilde “Frade do Violino”, cuja admirável riqueza de personalidade foi assim descrita:
“Na penitência e na pregação, foi um João Batista; no zelo pela fé, um Elias; na paz interior e na caridade, um Moisés; na esperança do eterno, um São Francisco de Assis”.
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