segunda-feira, 10 de junho de 2019

A Festa do Divino Espírito Santo


                                                                             

A Festa do Divino Espírito Santo é uma das mais antigas e difundidas tradições do catolicismo brasileiro. A origem dos festejos está ligada a data do Pentecostes, celebrado cinquenta dias depois da Páscoa, é portanto uma data móvel que nesse ano de 2019 será festejada no dia 10 de junho.
Para o calendário dos hebreus, a data marcava o fim das colheitas do trigo e o momento de festejar e agradecer pelas boas safras. Segundo a crença católica essa mesma data marca o dia em que o Espírito Santo teria se manifestado nos apóstolos, que passaram a pregar a palavra divina em diversos idiomas diferentes.
Em Portugal, a Festa do Divino foi instituída, sob a influência de costumes pagãos, pela Rainha D. Isabel, canonizada em 1625 como Santa Isabel de Portugal. Conta-se que a rainha determinou que, durante a festa, fosse coroado rei um menino, alimentos fossem distribuídos entre os mais humildes e que alguns presos fossem soltos. Tudo isso porque o Divino iria imperar e a terra viveria em fartura e perdão. A festa simbolizava, desta forma, o começo de uma nova era marcada pela prosperidade, bondade, igualdade, fraternidade e valores cristãos.
A Festa foi trazida ao Brasil pelos portugueses e aqui, apesar do viés religioso, com procissões, novenas e missas, adquiriu características folclóricas e locais, sendo geralmente comemorada entre maio e junho com tradições próprias e ampla participação popular. É celebrada de norte a sul do país e as mais conhecidas são as das cidades de Pirinópolis (GO), Mogi das Cruzes e São Luiz do Paraitinga (SP), São João del-Rei e Diamantna (MG), Poções (BA), São Luís e Alcântara (MA) e São Lourenço do Sul (RS).
                                                                              

Alguns elementos marcantes dos festejos são:
Imperador ou Festeiro - pessoa escolhida para organizar, estruturar e divulgar a festa.
As alvoradas e passeatas - cortejos pela cidade e visitas às casas; fogos de artifício pela manhã.
Folia do Divino- grupo de devotos que, em cantoria, passam nas casas dos habitantes recolhendo oferendas e todo tipo de ajuda para a realização da Festa do Divino.
A entrada dos palmitos - enorme cortejo que representa a chegada dos habitantes da zona rural ao centro da cidade para participar da Festa do Divino.
Quermesse - barracas com comidas e bebidas típicas e apresentações de grupos folclóricos e musicais.
Levantamento de mastro - cerimônia em que um grupo de homens levanta um tronco de árvore, simbolizando a força masculina.
Grupos de marujada, congada e moçambique- danças e cantorias folclóricas vindas da cultura afro-brasileira.
Cavalhada - encenação de batalhas medievais entre mouros e cristãos.
Mascarados- personagens típicos das cavalhadas, saem pelas ruas a pé ou a cavalo. Conta-se que, antigamente, os mascarados eram escravos que participavam da festa e saíam com máscaras para não serem reconhecidos.

                                                                               

O rico simbolismo da Festa do Divino é expresso através de objetos de liturgia, vestimentas, ornamentos e adereços. O pombo, representado quase sempre no topo de um mastro e às vezes envolto em uma coroa onde são amarradas as fitas com as promessas dos devotos, simboliza o Espírito Santo, elemento central da Festa. O vermelho da bandeira remete ao fogo, forma pela qual o Espírito Santo se manifestou aos apóstolos.
Fiéis recorrem ao Espírito Santo com pedidos e promessas, em busca dos mesmos milagres solicitados aos santos da igreja católica. O Divino Espírito Santo não é santo, mas uma força representada pela pomba branca que anuncia um novo tempo por meio da propagação de sete dons: fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor a Deus.

Daqui a pouquinho será publicado o post com 10º dia da Trezena de Santo Antônio, esperamos por vocês leitores(as)!


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