800 anos do Cântico das Criaturas
Escrito por São Francisco de Assis
Se aproximando do fim da vida e desejando ver o mundo todo em estado de louvor a Deus, São Francisco compôs o Cântico das Criaturas, também conhecido como Cântico do Irmão Sol.
No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.
Escrita no dialeto da Úmbria esse importante documento literário da linguagem popular acredita -se que esteja entre as primeiras obras escritas no idioma italiano.
São Francisco de Assis é uma figura com fina percepção que sentia o laço de fraternidade que nos une a todos os seres. Ternamente chama a todos de irmãos e irmãs: o Sol, a Lua, as formigas e o lobo de Gubbio. Ele nutria carinho e respeito por todo ser. Nas hortas, também as ervas daninhas tinham o seu lugar, pois do seu jeito elas louvam o Criador.
O sentimento de Francisco significa estilo de vida, a expressão genial do cuidado, a prática da confraternização e um renovado encantamento pelo mundo. Recriar esse sentimento nas pessoas e resgatar a cordialidade nas relações poderá recriar no mundo atual o mesmo fascínio pela vida no universo e o mesmo cuidado com irmã e mãe Terra como foi vivido por São Francisco.
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Cântico das Criaturas
Altíssimo, onipotente, Bom Senhor,
Teus são o louvor, a glória, a honra
E toda a benção.
Só a ti, Altíssimo, são devidos;
E homem algum é digno
De te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
Com todas as tuas criaturas,
Especialmente o Senhor Irmão Sol,
Que clareia o dia
E com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
Com grande esplendor:
De ti, Altíssimo é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Lua e as Estrelas,
Que no céu formaste claras
E preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Vento,
Pelo ar, ou nublado
Ou sereno, e todo o tempo
Pela qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pela irmã Água,
Que é mui útil e humilde
E preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
E ele é belo e jucundo
E vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
Pelos que perdoam por teu amor,
E suportam enfermidades e tribulações.
Bem aventurados os que sustentam a paz,
Que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a Morte corporal,
Da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
Conforme a tua santíssima vontade,
Porque a morte segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
E dai-lhe graças,
E servi-o com grande humildade.
(São Francisco de Assis)
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