Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola
Exercícios Espirituais, segundo o Santo Inácio de Loyola, são "qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar, orar vocal ou mentalmente entre outras atividades espirituais. Porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais também se chamam exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições desordenadas e, tendo-as afastado, procurar e encontrar a vontade de Deus, na disposição de sua vida para o bem da mesma pessoa".
Partindo deste pressuposto e baseado em sua própria experiência espiritual, Inácio de Loyola escreveu um roteiro a fim de ajudar os outros em seu crescimento espiritual: o livro dos "Exercícios Espirituais" que consistem em um modo e um roteiro, totalmente fundamentado na experiência do santo, para ajudar as pessoas a perceber e acolher a íntima ação de Deus em sua vida, e acolhê-la em uma dinâmica de uma participação cada vez mais efetiva na Vida e na Missão de Jesus Cristo.
A prática dos exercícios espirituais tem exercido influência significativa na vida da Igreja Católica ao longo dos séculos. Em 1922, Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola "Patrono Celestial de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios Espirituais".
O Papa Pio XI publicou, em 1929, a Encíclica "Mens nostra: Sobre os Exercícios Espirituais", na qual comunicava aos fiéis a sua decisão de estabelecer anualmente um retiro baseado nos Exercícios Espirituais para o Papa e membros da Cúria Romana.
A origem: Em fevereiro de 1522, Inácio retirou-se para Manresa em uma gruta, às margens do Rio Cardoner, nos arredores de Barcelona. A partir de então, passa a anotar os sentimentos que experimentava durante meditações e contemplações e esses registros tornaram-se a base de um pequeno livro chamado Exercícios Espirituais. Dentre as leituras que fez em Manresa, destaca-se Imitação de Cristo, um pequeno livrinho que é editado até hoje em dia.
Os Exercícios Espirituais são fruto dessa conversão de Santo Inácio e propõem os assuntos sobre os quais ele refletiu, meditou e contemplou, como a indicação de atitudes e procedimentos que o moveram a mudar de vida e entregar-se a Deus.
Santo Inácio percebeu que isto poderia ser útil para outras pessoas e por isso anotou tudo o que lhe parecia mais importante.
A força desses exercícios reside no fato de que o livro, com cerca de 200 páginas, apresenta um modo e um roteiro, totalmente fundamentado na experiência de Santo Inácio de Loyola, para a pessoa se dispor e se preparar para perceber e acolher a íntima ação de Deus em sua vida e acolhê-la na dinâmica de uma participação cada vez mais efetiva na Vida e na Missão de Jesus Cristo.
São, portanto, um processo, uma metodologia para uma experiência espiritual que tem como ferramenta principal a oração, e como meta o discernimento. Essa experiência deve ser vivida no núcleo mais intimo de cada pessoa, em sua afetividade.
O início do processo dos Exercícios Espirituais busca libertar o exercitante dos "afetos desordenados" que o impedem de conhecer e colocar em prática a vontade de Deus.
A meta é um conhecimento profundo da pessoa de Jesus, a partir da meditação e contemplação de suas palavras e ações, conhecidas a partir da leitura de trechos dos Evangelhos, aliás deve-se dizer que a essência do método é Orar com as Escrituras conduzindo a uma união com o Senhor Jesus, percebida afetivamente, pelo que Santo Inácio chama de consolação espiritual. Nesta situação quem faz os Exercícios Espirituais se sente atraído e movido para aderir ao Senhor Jesus participando assim na Sua vida e na realização da Sua missão. Não se trata de um voluntarismo, mas, sim de uma união mística e amorosa com o Senhor e Sua missão.
A experiência do amor de Deus será estendida à realidade: onde o egoísmo humano houver levado ódio, injustiça, e discórdia, o exercitante buscará, sob a bandeira de Cristo, transformar tal realidade, para que os homens possam viver como irmãos, reconhecendo a vontade do Pai Comum (Deus) em relação às realidades que os cercam.
Exercitia spiritualia (1548)
Primeira Edição por Antonio Bladio (Roma) (158x108 mm).
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