Santo Estevão da Hungria
16 de agosto
Santo Estevão, rei do século X-XI é simultaneamente o fundador do Estado húngaro moderno e o Apóstolo que converteu o seu povo ao Cristianismo — e que a Hungria venera há mais de mil anos com um amor que sobreviveu a todas as turbulências que um milênio de história centro europeia pode produzir.
São Estevão da Hungria — canonizado com o filho Emerico e o bispo Gérard de Sagredo em 1083 por Gregório VII — foi o rei que recebeu do Papa Silvestre II a “Coroa de Santo Estevão”, que organizou a Igreja húngara criando dioceses e mosteiros, e que ao morrer em 1038 entregou o reino à Virgem Maria.
Esta entrega da Hungria a Maria — que é o ato mais característico do reinado de Estevão e o fundamento da devoção mariana húngara conhecida como “Regnum Marianum” (o Reino de Maria) — foi não apenas um gesto devocional, mas uma afirmação teológica: o rei que havia construído o Estado húngaro reconhecia que o verdadeiro soberano era Maria.
Estevão (István em húngaro) nasceu por volta de 975 d.C. em Esztergom, filho do duque Géza da Hungria e da princesa Sarolt. Seu pai Géza já havia dado passos na direção do Cristianismo — recebendo o batismo — mas a Hungria permanecia essencialmente pagã. A conversão genuína e a organização cristã do país seriam a obra do filho.
Santo Estevão foi batizado em criança com o nome de Vajk (o nome húngaro) e depois adotou o nome cristão de Estêvão. Estudou com São Adalberto de Praga — o bispo mártir que foi assassinado pelos prussianos em 997 e que exerceu uma influência espiritual decisiva sobre o jovem príncipe húngaro. Em 997, Estêvão sucedeu ao pai e iniciou a campanha de cristianização do país organizando o país em condados e dioceses.
Em 25 de dezembro de 1000 (ou 1 de janeiro de 1001), Estevão foi coroado primeiro rei da Hungria — com uma coroa enviada pelo Papa Silvestre II, que assim reconhecia a Hungria como reino cristão independente. Esta coroação — que é o momento fundador do Estado húngaro moderno — foi ao mesmo tempo um ato político (o reconhecimento da soberania húngara) e um ato religioso (a inserção da Hungria na família dos reinos cristãos da Europa).
A “Coroa de Santo Estevão”, O Símbolo da Nação — ou mais corretamente a Coroa Apostólica da Hungria — é o símbolo mais sagrado da identidade húngara. A coroa atual (que não é a coroa original enviada por Silvestre II mas uma composição posterior) foi durante séculos o instrumento indispensável da coroação dos reis húngaros: sem a Coroa de Santo Estevão, nenhum rei era considerado legítimo. A coroa não é apenas uma joia: é a expressão material da identidade histórica e cristã da nação húngara.
O reinado de Estevão durou quarenta anos de construção sistemática do Estado e da Igreja húngara: fundou dioceses, construiu mosteiros e igrejas, organizou a administração civil em condados, codificou as leis do reino, e promoveu ativamente a conversão do povo com métodos que a Igreja reconheceu como suficientemente pastorais para o canonizar.
O drama maior da sua vida foi a morte do filho Emerico em 1031 — um jovem de extraordinária santidade que havia sido preparado por Estevão para o suceder. Sua morte numa caçada, com vinte e quatro anos — deixou Estevão sem herdeiro direto e o reino num conflito sucessório que o rei nunca resolveu satisfatoriamente.
Estevão morreu em 15 de agosto de 1038 — no dia da Assunção de Maria — entregando no leito de morte o reino à Virgem com a oração que a Hungria ainda recita — “Rainha do Céu, Patrona da Hungria, eu entrego ao Teu cuidado materno este povo e este reino” — e que foi o fundamento da tradição devocional húngara do “Regnum Marianum” (o Reino de Maria). Esta tradição — que vê a Hungria como especialmente protegida por Maria — sobreviveu a todas as tribulações da história húngara: as invasões mongóis do século XIII, as guerras contra os Otomanos, o comunismo do século XX. Em cada período de crise, os húngaros recorreram à intercessão de Maria invocada pelo “legado” de Estevão.
Santo Estevão foi canonizado em 1083 pelo papa Gregório VII e é o Padroeiro da Hungria. Seu patronato sobre pedreiros e escultores está ligado à grande quantidade de igrejas, mosteiros e catedrais que mandou construir durante o seu reinado.
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Oração a Santo Estevão
Deus Todo-Poderoso, concedei à vossa Igreja a gloriosa proteção de Santo Estevão, rei da Hungria, que propagou o Vosso Evangelho quando reinava na terra.
Que ele, que foi um generoso defensor da fé, seja agora o nosso eficaz protetor no Céu.
Ó grandioso Rei Santo Estevão, vós que guardastes e difundistes a fé católica com diligência, fazendo dela exemplo para todo o vosso povo, fazei que também nós vivamos de forma autêntica a nossa fé cristã no dia a dia.
Por sua intercessão, dai-nos coragem para anunciar o Evangelho e amar os irmãos sofredores.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém.
Santo Estevão da Hungria, rogai por nós.
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