Deus, que sonda os nossos corações e conhece o íntimo de cada um, preparou a Virgem Maria e a escolheu para ser a mãe do Verbo Encarnado, a Mãe de Deus. O “sim” que saiu de sua boca veio do mais íntimo de seu coração e ressoa até os dias de hoje, de geração em geração.
O coração, na linguagem bíblica, não se restringe ao âmbito afetivo, mas representa toda a pessoa — sua inteligência, sua consciência, sua memória, suas escolhas. E por duas vezes encontramos nas Sagradas Escrituras referências diretas ao coração de Maria. Quando nasceu o Cristo, Seu Filho, e os pastores falavam dEle — “Maria conservava todas essas palavras, meditando-as no seu coração.” E quando o Menino ficou perdido no templo e foi encontrado — “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas essas coisas no seu coração.”
O coração de Maria era um lugar de encontro com Deus. No seu íntimo ela guardava e meditava todas as coisas que a poderiam afligir e confiava no seu Senhor. Por isso, este coração Imaculado é o modelo mais perfeito de coração humano. Aquele para o qual nós devemos olhar e o qual devemos imitar, para nos assemelharmos a Jesus e identificarmos também o nosso coração com o dEle.
Sendo assim, na devoção ao Imaculado Coração de Maria recordamos que este é o coração mais semelhante ao de Cristo. Por isso também muito sofre — “[…] uma espada transpassará a tua alma” — e precisa ser reparado pelos homens.
Esta é também uma devoção reparadora, como a do Sagrado Coração de Jesus, uma vez que ambos corações estão intimamente unidos.
As origens da devoção
As Sagradas Escrituras já falavam do Coração de Maria, como vimos acima. E, assim como a devoção ao Sagrado Coração de Jesus já era cultivada por alguns santos, antes de se propagar com as aparições de Jesus à Santa Margarida, a do Imaculado Coração de Maria também. São João Eudes, por exemplo, já mencionava a devoção ao Coração de Maria em seus escritos antes de ela ser difundida ou reconhecida oficialmente pela Igreja.
No entanto, a partir das aparições de Fátima, a devoção ao Imaculado Coração de Maria torna-se ainda mais conhecida. Especialmente a devoção reparadora do Imaculado Coração. Na segunda aparição, em 13 de junho de 1917, Nossa Senhora diz aos pastorinhos: “Ele [Deus] quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Após dizer estas palavras, de acordo com os relatos da irmã Lúcia, “À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.”
Em seguida, na terceira aparição, a Virgem revela aos pastorinhos a visão do inferno e reforça o que já disse “Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. […] Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará.”
E ensina a eles esta oração para quando fizerem sacrifícios “Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.
Seja antes, seja depois das aparições de Fátima, a devoção ao Imaculado Coração de Maria sempre foi um tesouro para a Igreja e seus fiéis, pois é para nós refúgio e caminho que conduz até Deus.
O Seu coração que é humano, como o nosso, é o mais íntimo do de Cristo — ao qual desejamos também nos aproximar.
Em algumas imagens nas quais vemos retratado o Imaculado Coração de Maria é comum que ele seja representado com uma coroa de rosas. No entanto, na aparição de Nossa Senhora em Fátima, ela mostra o seu coração cercado de espinhos. Ou seja, igual ao que Jesus revelou à Santa Margarida quando mostrou o Seu Sagrado Coração.
Isso significa que o coração de Maria é o coração humano mais semelhante ao de Cristo. Ela é imaculada, cheia de graça, escolhida por Deus, concebida sem pecado. Sem dúvida, é o coração com a maior capacidade de amar, depois do de Cristo, uma vez que não tem a mancha do pecado; seu amor é reflexo do amor do próprio Cristo. Guardava e meditava tudo em seu coração.
“Foi vontade de Deus que, na obra da redenção humana, a Santíssima Virgem Maria estivesse inseparavelmente unida a Jesus Cristo; tanto que a nossa salvação é fruto da caridade de Jesus Cristo e dos seus padecimentos, aos quais foram intimamente associados o amor e as dores de sua Mãe.”
Portanto, não há como separar ambos corações. Na alegria da anunciação, bem como na dor da Cruz, estava o Imaculado Coração de Maria firme, associando-se ao coração de Jesus e oferecendo-se por Ele em sacrifício e também pelo bem e pela salvação da humanidade — isto é, por cada um de nós.
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Consagração ao Imaculado Coração de Maria
Ó Coração Imaculado de Maria,
Repleto de bondade, mostrai-nos o Vosso amor.
A chama do vosso Coração, ó Maria, desça sobre todos os homens!
Nós Vos amamos infinitamente!
Imprimi nos nossos corações o verdadeiro amor,
para que sintamos o desejo de Vos buscar incessantemente.
Ó Maria, Vós que tendes um Coração suave e humilde
lembrai-vos de nós quando cairmos no pecado.
Vós sabeis que todos os homens pecam.
Concedei que, por meio de Vosso Imaculado e Materno Coração,
sejamos curados de toda doença espiritual.
Fazei que possamos sempre contemplar a bondade de Vosso Materno Coração
e nos convertamos por meio da chama do Vosso Coração.
Amém.
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